Aconteceu nesta sexta-feira (23/10) as 14 hs, a ação promovida por um grupo estudantes de odontologia do P5 B da Unipê, em comemoração à Semana do Dentista, o grupo visitou o Instituto Vem Cuidar de Mim, nesta tarde e levou para cerca de 100 crianças da comunidade do Timbó uma tarde cheia de muita alegria, diversão, conscientização a respeito da saúde bucal.
Momentos sublimes de brincadeiras, contação de histórias, personagens infantis, distribuição de brindes, lanches, e muita informação sobre a importância da higiene bucal para as crianças.
Dirija-se até a Vara da Infância e Juventude mais próxima de sua
casa, com os seguintes documentos:
* RG
* Comprovante de residência
Agende uma Entrevista
A vara agendará uma data para uma entrevista com o setor técnico.
Você poderá selecionar o tipo físico, idade e sexo da criança desejada.
Você receberá a lista dos documentos de que a vara precisará para dar
continuidade ao seu processo. Estes documentos variam de vara para vara,
mas geralmente são: - Cópia autenticada da certidão de casamento ou
nascimento - Cópia do RG - Cópia do comprovante de renda mensal - Atestado
de sanidade física e mental - Atestado de idoneidade moral assinada por 2
testemunhas, com firma reconhecida - Atestado de antecedentes criminais
Realize a Entrevista
Até dois meses, uma psicóloga do juizado agendará uma entrevista
para conhecer seu estilo de vida, renda financeira e estado emocional. Ela
também pode achar necessário que uma assistente social visite sua casa para
avaliar se a moradia está em condições de receber uma criança.
Inclusão no Cadastro Nacional de Adoção
A partir das informações no seu cadastro e do laudo final da
psicóloga, o juiz dará seu parecer. Isso pode demorar mais um mês,
dependendo do juizado. Com sua ficha aprovada, você ganhará o Certificado
de Habilitação para Adotar, válido por dois anos em território nacional.
Seu nome estará então inserido no Cadastro Nacional de Adoção. Com o
certificado, você entrará automaticamente na fila de adoção nacional e
aguardará até aparecer uma criança com o perfil desejado. Ou poderá usar o
certificado para adotar alguém que conhece. Nesse caso, o processo é
diferente: você vai precisar de um advogado para entrar com o pedido no
juizado.
Outras
Informações sobre Adoção
Quem pode adotar?
•
Maiores de 21 anos, qualquer que seja seu estado civil
• O
adotante deve ser 16 anos mais velho do que o adotado
• A
Justiça não prevê adoção por homossexuais. A autorização fica a critério do
juiz responsável
•
Cônjuge ou concubino pode adotar o filho do companheiro
Quem não pode adotar?
• Avô
não pode adotar neto
• Irmão
não pode adotar irmão
• Tutor
não pode adotar o tutelado
Quem pode ser adotado?
•
Criança ou adolescente com, no máximo, 18 anos de idade, na data do pedido de
adoção, cujos pais forem falecidos ou desconhecidos, tiverem sido destituídos
do poder familiar ou concordarem com a adoção de seu filho.
•
Pessoa maior de 18 anos que já esteja sob a guarda ou tutela do adotante na
data do pedido de adoção.
O que é o Cadastro Nacional de Adoção?
O
Cadastro Nacional de Adoção é uma ferramenta criada para auxiliar os juízes
das varas da infância e da juventude na condução dos procedimentos de adoção.
Lançado em 29 de abril de 2008, o CNA tem por objetivo agilizar os processos
de adoção por meio do mapeamento de informações unificadas. O Cadastro irá
possibilitar ainda a implantação de políticas públicas na área. Mais
informações podem ser obtidas AQUI.
O que são os Grupos de Apoio a Adoção?
Os
Grupos de Apoio à Adoção são formados, na maioria das vezes, por iniciativas
de pais adotivos que trabalham voluntariamente para a divulgação da nova
cultura da Adoção, prevenir o abandono, preparar adotantes e acompanhar pais
adotivos, encaminhar crianças para a adoção e para a conscientização da
sociedade sobre a adoção e principalmente sobre as adoções necessárias
(crianças mais velhas, com necessidades especiais e inter-raciais).
Quantas crianças podem ser adotadas atualmente no Brasil?
Último
balanço do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), feito em 2011, mostra que no
Brasil há atualmente 4.416 crianças e adolescentes aptas a serem adotadas.
Todas as crianças que vivem em abrigos podem ser adotadas?
Não,
pois muitas têm vínculos jurídicos com a sua família de origem e, por isso,
não estão disponíveis à adoção.
O que acontece quando aparece uma criança disponível dentro do perfil
desejado?
Você é
chamado para conhecer a criança. Se quiser, já pode levá-la para casa. Quando
o relacionamento corre bem, o responsável recebe a guarda provisória, que
pode se estender por um ano. No caso dos menores de 2 anos, você terá a
guarda definitiva. Crianças maiores passam antes por um estágio de
convivência, uma espécie de adaptação, por tempo determinado pelo juiz e
avaliado pela assistente social. Depois de dar a guarda definitiva, o juizado
emitirá uma nova certidão de nascimento para a criança, já com o sobrenome da
nova família. Você poderá trocar também o primeiro nome dela. As relações de
parentesco se estabelecem não só entre o adotante e o adotado, como também
entre aquele e os descendentes deste e entre o adotado e todos os parentes do
adotante.
Outros detalhes
• A
criança ou o adolescente passa a ter os mesmos direitos e deveres, inclusive
hereditários, de um filho legítimo.
• Quem
é adotado recebe o sobrenome do adotante.
• A
adoção é irrevogável, ou seja, a criança ou o adolescente nunca mais deixará
de ser filho do adotante, nem mesmo com sua morte.
•
Registrar como filho uma criança nascida de outra pessoa é uma atitude ilegal
e desaconselhada por psicólogos e juízes. Essa prática - conhecida por adoção
à brasileira - é crime de falsidade ideológica, previsto no artigo 242 do
Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 6 anos. Esta situação, normalmente,
envolve intermediários que também podem ser punidos conforme o artigo 237 do
Estatuto da Criança e do Adolescente.Além disso, os pais biológicos podem
recorrer à Justiça a qualquer momento para reaver o filho. Na adoção à
brasileira, a história de vida e de origem da criança desaparece. E no
futuro, isto pode gerar inquietação e problemas para o adotado.
Presidente do Instituto João Eduardo Melo, reuniu-se na manhã desta segunda-feira (19/10) com a Ten. Dayana e com a parceira Denise Dutra para planejar a implantação no Instituto Vem Cuidar de Mim do projeto "Polícial Militar Mirim", um projeto de cidadania da Policia Militar do Estado da Paraíba.
Ação realizada nessa segunda beneficiou mais de 500 crianças do Timbó
Como parte das comemorações em prol do dia das crianças, o Instituto Vem Cuidar de Mim organizou na manhã dessa segunda-feira (12), um café da manhã para as crianças moradoras da comunidade do Timbó localizada no bairro dos Bancários, na Capital. Mais de 500 crianças participaram da ação, que contou com a distribuição de brinquedos e lanches, além da realização de diversas atividades recreativas.
O evento foi promovido em parceria com a Paróquia Menino Jesus de Praga, o Rotary e o Rotaract Bancários, a associação do timbó, o grupo jovem Sementes de Luz e o Cofarci, e faz parte das ações sociais articuladas pelo Instituto na comunidade do Timbó. “Mais uma vez estamos aqui trazendo alegria para as crianças do bairro. É o dia das crianças e elas merecem todo o respeito e amor para se desenvolverem com dignidade”, afirma João Eduardo Melo, presidente do Instituto.
O Instituto Vem Cuidar de Mim nasceu a partir da campanha “Vem Cuidar de Mim”, lançada no ano passado pelos pais de Maria Luiza, de 5 anos, que lutou contra um câncer infantil. A campanha arrecadou mais de 70 mil assinaturas com o objetivo de alterar as normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para que pais e cuidadores tenham direito a licença remunerada e possam acompanhar o tratamento de seus filhos detentores de doenças graves.
João Eduardo Melo, pai de Maria Luiza é presidente do Instituto, ressalta que a instituição nasceu a partir da vontade de responder a cura de Maria Luiza com o auxílio a outras crianças. “Foram vários meses de tratamento, e durante o ano, conquistamos muitas bênçãos. Temos que agradecer a cura da minha filha e nada melhor do que fazer isso ajudando ao próximo”, declara.
O Instituto Vem Cuidar de Mim está localizado no bairro dos Bancários, e visa contribuir na formação social e emocional das crianças da comunidade do Timbó. “Tirar crianças de áreas de vulnerabilidade social e trazer para que aqui tenham uma formação, como por exemplo, aulas de inglês, horticultura, informática, reforço escolar, dança, etc. Ou seja, tudo aquilo que é necessário para que uma criança cresça com dignidade para que assim possa ter um futuro melhor”, conclui João Eduardo Melo.
O INSTITUTO VEM CUIDAR DE MIM foi uma das instituições convidadas este ano a participar da Semana Solidária, o projeto SEMANA SOLIDÁRIA foi abraçado pela ABRASEL NACIONAL, por ser uma ação de responsabilidade social que proporciona às crianças de baixa renda uma experiência única com a gastronomia, misturada a brincadeiras, brindes e presentes, que certamente ficará marcada nas suas vidas como um dia delicioso e alegre.
A ideia principal do projeto é que todas as crianças participantes se sintam inseridas na vida sociocultural e que esta experiência some positivamente no desenvolvimento social e emocional, contribuindo assim para melhorar a sua formação.
As crianças do Instituto foram homenageadas na manhã desta sexta-feira (09/10) com almoço, distribuição de brindes e presentes, brincadeiras no Restaurante Guaiamum Gigante no Bessa em João Pessoa.
A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano da Paraíba é parceiro da ABRASEL, apoiando esta ação.
Segundo fisiologista do HCor, tanto a prática de esportes, quanto as brincadeiras ao ar livre, aprimoram não só o autoconhecimento, do ponto de vista físico, mas também a habilidade que cada jovem tem de raciocinar e tomar decisões
Para muitos pais, o bom desempenho dos filhos na escola não tem nada a ver com o hábito de correr ao ar livre ou de jogar bola com os amigos, por exemplo. Aliás, muito pelo contrário. Quanto mais diversão, menos notas azuis no boletim. Contudo, será que essa também é a opinião dos profissionais da área de saúde? “Ao contrário do que alguns pensam, tanto a prática regular de esportes, quanto o esforço físico decorrente das brincadeiras na juventude, podem contribuir bastante com a capacidade de aprendizado de crianças e adolescentes. Cabe aos pais apenas administrar os horários dos filhos para que eles possam estudar e se exercitar de maneira equilibrada”, afirma o fisiologista do Sport Check-Up do HCor, Diego Leite de Barros.
Diego explica que, de maneira geral, a prática de esportes e atividades físicas estimula a criança a desenvolver não só a capacidade de reconhecer seu corpo, suas limitações e o seu potencial físico, mas também a sua habilidade de raciocinar e de tomar decisões. “Isso ocorre porque a criança acaba criando um caminho de condução do estímulo entre o cérebro e os músculos ainda mais eficiente”, explica. “Esta capacidade se desenvolve ao longo dos anos e facilita o processo de aprendizagem em diferentes níveis cognitivos e motores”, revela o fisiologista do HCor.
Esporte inteligente
De acordo com Diego as atividades físicas que melhor desenvolvem a capacidade de aprender de crianças e adolescentes são aquelas realizadas em grupo, com regras definidas e que contam com ambientes que estimulam os jovens de diferentes maneiras, como grama, areia ou água, por exemplo. “Esportes como futebol, vôlei de praia ou polo aquático cumprem bem com essa função. Mesmo modalidades individuais como natação, ciclismo e artes marciais também podem exercer um papel muito importante não só na aprendizagem, mas também na capacidade de concentração dos pequeninos”, afirma Diego. “Vale lembrar que a prática de esportes e atividades físicas entre menores de idade deve ser sempre supervisionada por professores e, se possível, com acompanhamento médico regular”, aconselha o fisiologista do HCor.
Benefício por toda a vida
Não é só entre a infância e a adolescência que a prática de atividades físicas gera benefícios para as habilidades cognitivas. Em idades mais avançadas, nas quais a capacidade de raciocínio pode ficar comprometida em função das reduções no desempenho neural, os exercícios também têm grande importância. “Assim como acontece com as crianças, exercícios físicos na fase adulta ou na terceira idade também auxiliam, entre outras funções cognitivas, a capacidade de concentração e raciocínio”, explica Diego. “Por isso, manter um estilo de vida ativo e saudável é sempre muito importante para que possamos enfrentar as limitações impostas pelas diferentes fases da vida”, acrescenta o fisiologista do HCor.
Uma programação especial voltada para as crianças está sendo oferecida ao público visitante do Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa. A programação, alusiva ao Dia das Crianças que é comemorado na segunda-feira (12), começou na terça-feira (6) e segue durante todo o mês de outubro.
De acordo com o educador ambiental César Costa, a programação tem como slogan “Traga seu filho para conhecer nossos filhotes” e envolve interações com filhotes de mamíferos e répteis, realizadas nas terças e quartas-feiras de outubro pela manhã e à tarde, além de atividades espalhadas pelo parque. “As outras atividades são livres, como o painel para pintura com tintas e lápis disponíveis para a atividade e quadros de animais para o visitante colocar o rosto e tirar fotos”, disse. Também estão espalhados pela Bica espaços para jogos de amarelinha, labirintos e caça-palavras.
Glauber Travassos, que também é educador ambiental, explica que as interações com os filhotes acontecem de maneira a respeitar o limite do bem estar do animal. “Vamos acompanhar durante todo o tempo. É uma atividade para que os visitantes possam ver o animal mais de perto e conhecê-lo filhote, já que isso acontece, geralmente, com ele já adulto”, esclareceu.
Espaços para amarelinha, labirintos e outrasbrincadeiras estão espalhados pela Bica(Foto: Divulgação/Secom-JP)
Para o Dia das Crianças, o parque vai ser aberto excepcionalmente na segunda-feira. Segundo o diretor da Bica, Jair Azevedo, a expectativa é receber um público de cerca de 25 mil pessoas. “Estaremos com toda estrutura pronta para que o público possa se sentir bem. Embora exista um fluxo bem maior de pessoas neste dia, nós vamos estar preparados em relação à segurança e esperamos que o público também contribua para isso”, disse.
Por causa da abertura excepcional na segunda, o parque estará fechado na terça-feira (13), para o descanso dos animais e a manutenção do espaço. Na quarta-feira (14) a programação das interações segue normalmente. O setor de educação ambiental do parque explica que o agendamento de recepção para as escolas continua a ser feito, mas as trilhas estão suspensas até o final de outubro.
Dados preocupam porque suicídio é sub-notificado e, além disso, estimam-se 300 tentativas para cada suicídio infantil; especialistas criticam falta de programas de prevenção
"Mas você tem tudo o que quer. Por que fez isso?" Seja em um choro dolorido ou aos gritos de raiva, a frase é comum no pronto socorro de psiquiatria para onde são encaminhadas as crianças e adolescentes que tentaram se matar. Sai da boca dos pais, atônitos com a confissão do filho que se cortou todo ou que ingeriu uma dose cavalar de medicamentos. Pouco falado, o suicídio na infância e adolescência tem crescido nos últimos anos.
Dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, revelam que ele existe e está crescendo. De 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%.
Suicídio infantil: maioria dos casos está ligada à depressão, que é tratável
"Ao contrário do adulto, que normalmente planeja a ação, o adolescente age no impulso. São comportamentos suicidas para fugir de determinada situação que vez ou outra acabam mesmo em morte", afirma a psiquiatra Maria Fernanda Fávaro, que atua em um Pronto Socorro de psiquiatria em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Aos cuidados de Maria Fernanda, são encaminhadas as crianças e os adolescentes que chegaram feridas ao hospital após tentarem se matar.
Ao serem perguntados sobre o motivo de terem se mutilado com lâmina de barbear, se ferido com materiais pontiagudos, cortado o pulso ou ingerido mais de duas dezenas de comprimidos, a resposta é rápida, e vaga. "A maioria diz que a vida não tem sentido, que sentem um vazio enorme. Muitos têm quadros associados à depressão", afirma Maria Fernanda. O cenário é tão recorrente, diz a psiquiatra, que há sites, blogs e páginas de rede social que ensinam as melhores técnicas e ferramentas para que a criança tire a própria vida.
Para os mais novos, se matar é, de fato, mais difícil. Dados mostram que, a cada suicídio adulto, há de 10 a 20 tentativas que não acabaram em morte. No caso de crianças, são estimadas 300 tentativas para um suicídio consumado, seja porque elas usam método pouco letal, seja por dificuldade de acesso a instrumentos. "Muitos, quando chegam aqui contam que vêm se cortando a mais ou menos um ano, e a família não sabe disso", diz Maria Fernanda.
Assunto proibido
Esse desconhecimento familiar não deve ser encarado como descaso, mas precisa ser visto sob a lógica do quanto o tema do suicídio ainda é um tabu na sociedade, afirmam os especialistas. No caso de crianças e adolescentes, a situação ainda é pior: ninguém fala sobre o assunto, apesar de estudos mostrarem que 90% dos jovens atendidos em emergência psiquiátrica chegam lá após tentativas de se matar.
"Existe o mito de que o suicídio se concentra nos países nórdicos. Essas nações realmente lideravam o ranking, mas tomaram atitudes e conseguiram reverter o quadro. Enquanto isso, a gente aqui no Brasil continua sem falar nisso e vê os números crescendo", alerta Carlos Correia, voluntário há mais de 20 anos do Centro de Valorização da Vida, o CVV.
Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada mostraram que o Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012 e o oitavo do mundo em números absolutos de pessoas que tiram a própria vida. Foram 11.821 suicídios no período, aumento de 10% em relação à década anterior.
Uma situação que, segundo os especialistas, reflete a falta de programas de prevenção. Apesar de a taxa no Brasil ainda ser inferior a 10 suicídios por 100 mil habitantes – a partir da qual a OMS considera alta, a população é muito grande e, portanto, o número de casos também.
“O que não pode é o Brasil votar em março sobre o relatório da OMS, mas não promover o plano de prevenção ao suicídio”, afirma o médico Carlos Felipe Almeida D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio.
O psiquiatra infantil Gustavo Estanislau compara as iniciativas de prevenção brasileiras com as de países desenvolvidos. "Lá fora, existem projetos de prevenção há muito tempo. Eles já têm isso tão bem organizado, que funcionam como um guia. Tem equipes até para agir nas escolas quando, por exemplo, uma criança se mata. No Brasil, não conheço nenhum projeto desse tipo."
Por onde começar
A criação de um programa de prevenção ao suicídio eficaz deve ter como prioridades a identificação de fatores de risco, o investimento em serviços especializados e o mapeamento de quais são as populações mais vulneráveis, com atenção àqueles que já cometeram tentativas de suicídio.
Maria Fernanda conta que boa parte das crianças e adolescentes que ela atende no pronto socorro psiquiátrico é reincidente: já tentaram se matar outra vez e, machucados, passaram por um clínico geral que os liberou em seguida. “É a realidade da maioria, porque ainda são poucos os serviços especializados. No hospital convencional, a medida comum é cuidar do ferimento e mandar para casa”, diz.
Quando essa mesma criança que tentou se matar tem acesso a um serviço especializado, o resultado pode mudar seu futuro. “Atendo e avalio se ela mantém o risco suicida. Se ela diz que tentou se matar e continua querendo, a gente interna. Se não há risco, indicamos um acompanhamento ambulatorial. Só não pode é voltar para casa do jeito que chegou”, afirma Maria Fernanda.
Como eu vou saber?
Os especialistas afirmam que é preciso prestar atenção a qualquer sinal que a criança ou o adolescente demonstre sobre a vontade de tirar a própria vida. Além de comunicar verbalmente o objetivo de se matar, ele pode apresentar sinais como tristeza prolongada, mudança brusca de comportamento, agressividade e intolerância.
“A primeira coisa a fazer é considerar que há um risco. Não pode achar que é bobagem, coisa momentânea ou feita para chamar atenção. O suicídio tem um aspecto importante, que é a comunicação. Se a pessoa está dizendo que tem um tipo de sofrimento e que não encontra saída, é preciso ficar atento e procurar um serviço de saúde mental”, afirma D’Oliveira, da Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio.
Detectado o risco, a primeira providência é conversar. Parece óbvio, mas não é. Na maioria dos casos, os adultos acreditam que se fingirem que não perceberam, a criança ou o adolescente pode mudar de ideia. Outros tantos acham que falar em suicídio é uma ameaça típica da idade. Ambas atitudes estão erradas. “É preciso sempre levar a sério e acreditar no que a criança ou o adolescente diz. É importante ter uma conversa, sem julgamentos, para que ele não se sinta tolhido em falar”, afirma a psicóloga Karen Scavacini, mestre em saúde pública e especialista em prevenção ao suicídio.
Pode ser que, nessa conversa, o adulto perceba sinais bem sutis, como a dificuldade de tolerância à frustração, falta de sentido na vida, sensação de desamparo e pressão interna. "É também nessa idade, que muitos se dão conta de sua orientação sexual. No caso de se perceberem homossexuais, podem achar que é um problema e que não tem solução", afirma Karen.
A psicóloga explica que, nesta conversa, é importante que o adulto pergunte se a criança ou o adolescente já pensou em se matar mais de uma vez. “Assim, é possível saber se a ideia já virou um plano e então encaminhar a criança para um atendimento.”
Mesmo porque no momento do atendimento, explica a psicóloga, percebe-se que a vulnerabilidade dessa faixa etária é tão grande que muitos tentam tirar a vida sem ao menos saber o que isso significa. “Crianças mais novas e pré-adolescentes tem uma impulsividade e não têm a capacidade de avaliar que a morte é para sempre.”